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sábado, 7 de dezembro de 2024

AS DUAS CARTAS

 











Faltavam duas semanas para o encerramento das aulas e as crianças do Grupo Escolar Cristo Rei tinham aulas de recreação. Todos estavam aprovados para o ano seguinte e, como disse a professora, agora era só brincadeira. Num desses dias, a professora começou a falar sobre a festa de Natal, presentes, igrejas e tudo mais que envolve esta bela data. Séria, ela perguntou aos alunos se eles já haviam escolhido seus presentes. Foi uma agitação total. Todos falavam ao mesmo tempo e ninguém entendia nada. A professora então disse:

- Calma, crianças! Falem um de cada vez para que todos possam ouvir e entender.

A ordem foi estabelecida. A primeira a falar foi a Aninha. Ela pediu uma boneca e uma bicicleta, o Arnaldo, uma bola oficial de futebol, o Marcelo queria jogos de armar, o Carlinhos, o menino com cara de intelectual, queria livros porque ler era o seu passatempo predileto. Todos estes pedidos foram enviados, através de carta, ao Papai Noel. A professora percebeu que o Pedrinho não dissera uma palavra.

- Então Pedrinho, você não pediu nada? – perguntou ela.

- Não. Este ano eu é que vou dar presente. – respondeu a criança.

- Para quem?

- Para o aniversariante!

- Pedrinho, o aniversariante é Jesus de Nazaré. Como você entregará o presente para ele.

- Ora, professora, isso é comigo e o Papai Noel. Eu escrevi pra ele e pedi pra ele entregar.
A professora ficou pensativa. Claro que a criança tinha razão, no Natal são poucas as pessoas que se lembram do aniversariante.

Enquanto isso, lá no Pólo Norte, o correio chegava com milhões e milhões de cartas de crianças pedindo de tudo. Os ajudantes do Papai Noel estavam deveras atarefados, sem tempo nem para comer. Eles precisavam abrir aquela correspondência toda antes do dia vinte e cinco de dezembro para não atrasar a entrega dos presentes. Já estavam quase no fim quando um dos ajudantes disse:

- Engraçado, aqui tem duas cartas da mesma pessoa; uma é para o Papai Noel e a outra é para... Jesus de Nazaré... e tem um pacote também endereçado a ele. – disse o ajudante de olhos arregalados porque nunca havia acontecido um fato deste.

O Papai Noel ouvindo aquilo deu a ordem:
- Abra a carta endereçada a mim.
O ajudante abriu e leu:

“Querido Papai Noel. Este ano eu não quero presentes. Tenho todos e tudo que pedi. Por isso eu só peço uma coisa: dá pro senhor entregar a outra carta e o pacotinho para o filho de Deus? Eu sei que o senhor está mais perto dele, portanto fica mais fácil. Obrigado. Feliz Natal e um beijo do Pedrinho.”

O Papai Noel ficou comovido e se apressou em atender a solicitação da criança. Entregou tudo nas mãos de Jesus Cristo. Jesus abriu a missiva e começou a ler em voz alta.

“ Senhor Jesus.
Dia vinte e cinco de dezembro é o dia do seu aniversário. Aqui na Terra todos comemoram com festas e presentes, só que eu nunca vi ninguém dar um presente pro senhor. Então eu resolvi que este ano eu vou lhe dar um. Não é uma bicicleta porque o senhor não saberia andar nas nuvens com ela, nem bola, acho que não saberia jogar, nem carrinho, nem pipa ou pião, nada dessas coisas. São as minhas ações praticadas. A obediência e o respeito, a solidariedade, o amor aos semelhantes e a fé em Deus e no senhor. Sei que não é muito porque ainda sou pequeno, mas saiba que tudo é de coração. Eu embrulhei o presente com papel de oração para que não se perca pelo caminho.

Desejo-lhe um feliz aniversário, ao lado dos seus pais e dos zilhões de amigos que o senhor tem. Ah! Não se esqueça de, quando apagar a velinha, fazer um pedido.

Um beijo do seu amigo.
Pedrinho.”

Jesus terminou a leitura. Abriu o pacotinho e lá estavam as boas ações do Pedrinho todas arrumadinhas com muito capricho. Levantou-se e foi até a janela da sua morada e olhando para baixo, deixou que as duas lágrimas que bailavam nos seus olhos caíssem sobre a Terra abençoando tudo e todos no dia do seu aniversário.

- Vovó, eu também posso mandar um presente pra Jesus?

- Pode sim. Todo o bem que você fizer, faça em nome Dele que ele irá juntando tudo e guardando no armário que cada um de nós tem no céu. Este é o melhor presente que podemos ofertar a Jesus em todos os dias da nossa existência.

(histórias que contava para o meu neto)

(Maria Hilda de J. Alão)

sábado, 27 de janeiro de 2024

CONTANDO CARNEIRINHOS (infantil)

 


Eu acho tão engraçado

A vovó contar carneirinhos

Na hora de dormir.

Na minha cabeça de criança

Brotou a grande pergunta:

E os carneirinhos? Na hora

De dormir eles contam gente?

 

 

27/01/24

(Maria Hilda de J. Alão)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

MOLEKÃO E O SUMIÇO DA BONECA (história infantil)

 


- Vovó, que bolo você vai fazer? – perguntou Zequinha para dona Mariinha, sua avó por parte de mãe.

- Ah, hoje será um bolo de laranja, o meu preferido! – respondeu ela.

- Então você não gosta de bolo de chocolate, vovó? – insistiu o menino.

- Gosto sim, meu amor. Só que hoje eu me lembrei do bolo de laranja que minha mãe fazia e me deu uma saudade...

- A minha bisa era assim como você, vovó?

- Era bem melhor! – exclamou dona Mariinha segurando a lágrima que queria sair do seu olho.

- Eu vou te contar como era na minha infância, quando eu tinha a sua idade. Na minha casa éramos quatro filhos, três meninos e eu. Morávamos num sobrado grande. O que não faltava era terreno pra gente correr e brincar. Nossos amiguinhos sempre vinham brincar conosco. Minha mãe ficava mais sossegada. Ela olhava, sorria e dizia: - Daqui a pouco tem bolo de laranja. Quem vai querer? E todos, incluindo os amigos, respondiam: - Eu, Eu...

- Enquanto os meninos brincavam com bolinha de gude e jogavam futebol com bola de capão, eu e as outras meninas brincávamos com as bonecas e de fazer comidinha. Minha mãe separava um pouco do almoço numa vasilha para que nós aprontássemos a nossa comidinha. Eu juntava duas pedras, uma do lado da outra, e deixava um vão entre elas para colocar gravetos e acender um fogo imaginário, colocava a panelinha para fingir que cozinhava a comida já pronta. Depois era só chamar a molecada pra comer nos pratinhos de alumínio, com garfinhos do mesmo material, que eu ganhara de uma tia de Goiás.

- Enquanto tudo isso acontecia, ele estava ali ao meu lado esperando o seu quinhão.

- Quem era ele, vovó? – perguntou Zequinha curioso.

- Era o meu cão Molekão! – respondeu dona Mariinha.

- Mas que nome engraçado. Por que Molekão? – insistiu o menino.

- Ele era um cão buldogue francês, sisudo, mas uma doçura de animal. Amigo das crianças, ele participava de todas as brincadeiras. Foi meu avô quem colocou o nome Molekão por causa da pele enrugada e mole do focinho. Se não déssemos a nossa comidinha pra ele, podia esperar a choradeira. Ele gania até ganhar o que queria. Bem. Um dia, durante as férias escolares, nós fomos brincar no parque onde ficava a lagoa com a recomendação de minha mãe: - Não fiquem à beira da lagoa e nem entrem na água, pelo amor de Deus. E nós obedecemos direitinho. Ficamos na parte mais alta do parque onde havia muitas árvores.

Os meninos com seus brinquedos: pião, bola e pipa. Nós, as meninas, com bonecas, corda, os pratinhos e as panelinhas para fazer e servir comidinha. Comigo estavam o Molekão e a minha boneca de louça que eu ganhei da minha madrinha. Eu adorava aquela boneca. Depois de umas horas de brincadeiras o céu, que estava azul e fazendo muito calor, ficou cinza ameaçando desabar uma tempestade. Começamos a recolher nossas coisas para voltarmos quando veio a ventania com relâmpagos e trovões. A chuva caiu logo a seguir, fazendo-nos correr para casa. Foi muita água que caiu do céu. Tudo ficou inundado. Depois de passado o temporal e de os amigos terem ido embora, eu me dei conta que a minha boneca tinha ficado lá no parque da lagoa.

Meu pai foi buscá-la, mas voltou de mãos vazias. A boneca havia desaparecido. Que tristeza! Meu coração batia descompassado e as lágrimas rolaram dos meus olhos. Será que a chuva a levou para dentro da lagoa? Molekão ficava ali me rodeando como se entendesse a situação. Lambia as lágrimas que caiam em minhas mãos e eu lhe dizia:

- Eu quero a minha boneca. Você sabe onde ela está?

No dia seguinte Molekão, contrariando os seus costumes, sumiu. Ele nunca havia feito tal coisa. Chegou a hora do almoço e nada, logo ele que não dispensava comida. Minha mãe, preocupada, perguntava aos vizinhos se haviam visto o cão. A reposta era a mesma: - Não, senhora. Mas à tardinha, já com o sol se escondendo, chegou Molekão com a boneca na boca. Parecia que ele mergulhara num mar de lama para resgatá-la. Largou a boneca aos meus pés e se pôs a latir. E meu coração disparou de emoção. Mesmo coberto de lama, eu abracei Molekão em sinal de agradecimento. Depois de tudo limpo, eu, o cão e boneca, perguntei a minha mãe:

- Mamãe! Quem disse que os cães não entendem a língua da gente?

- Provavelmente, alguém que nunca teve um. – respondeu minha mãe sorrindo.

Depois daquele dia, eu que já amava, passei a amar e a respeitar, mais e mais, o nosso cachorro Molekão. Ele sabia, porque sempre que eu deixava no quintal algum dos meus brinquedos, ele vinha e o depositava aos meus pés como a dizer:

- Você esqueceu, não vá perdê-lo como fez com a boneca!

Como você pode ver, meu netinho querido, na vida de toda a criança existe sempre um cão, uma avó e um bolo que pode ser de laranja ou de chocolate.

- Vamos ver como está o bolo? – Perguntou d. Mariinha abrindo o forno e puxando a forma. O perfume invadia cada canto da casa e escapava por janelas e portas para desafiar o paladar da vizinhança.

- Está belíssimo, meu querido! Vamos aguardar que esfrie para colocar a cobertura.

- Vai demorar muito, vovó?

- Ah! Seu guloso. Demora o tempo que a andorinha sinhá Mariquinha leva para botar seu ovo.

- Que história é esta, vovó?

- Esta eu contarei em outra oportunidade.


(Maria Hilda de Jesus Alão)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023




  O GATO QUE QUERIA SER TIGRE






Esta história está no livro escrito por Maria Hilda de J. Alão OS BICHOS CONTANDO SUAS HISTÓRIAS à pagina 76.

publicado em 2018 pela Editora Clube de Autores.






domingo, 3 de dezembro de 2023

CAIPIRESCA (brincadeira infantil)

 



Bifi di boi é tão bão
Principarmenti si for nu pão.
Diga lá cumpadi João:
Tem coisa mió de bão?

Tem não cumpadi Zé,
I si ocê cumê cum café
Passadu na meia du pé,
Nem vai sinti u chulé

Di tão bão qui é cumê,
Um pedaçu di bifi rolê,
Cum tar di môio rosê,
Qui faiz a dona Vevê.


(Maria Hilda de J. Alão)

 

BRINCANDO COM VERBOS (brincadeiras)

 



A borboleta borboletearia
Um cavalo trotaria
Uma vaca ruminaria
Um grilo cricrilaria
Um pintinho piaria
A menina cantarolaria
E um burro zurraria
No futuro do pretérito.

31/03/23

(Maria Hilda de J. Alão)


segunda-feira, 6 de novembro de 2023

O FANTOCHE BINOCHE (historinha)

 




















O fantoche Binoche é do dedo polegar da mão do palhaço Ademar. Também é vizinho da linda Bibi, fantochinha que passa a vida a sorrir, espetada no dedo indicador do palhaço falador.

Binoche tem um grande desejo: conhecer, nos outros dedos, seus companheiros de fazer graça. Quer saltar acima do dedo indicador, dizer “olá” ao Claudionor, o fantoche verde com voz de papagaio, bem amarradinho no dedo médio da mão direita do Ademar. Quer parar no dedo anelar e conversar com Papi, o fantochinho criança, que imita o piar de passarinho no ninho.

Mas o sonho de Binoche ninguém sabe. Só ele. Quer chegar ao dedo mindinho pra fazer parte do mundinho de Zuzu, a fantochinha com saia de tule. Calcule só a alegria, a festa de todos os dedos. Depois é só cantar, contar histórias e pedir ao palhaço que junte os dedos para unir os cinco amigos num abraço fraternal.

(Maria Hilda de J. Alão)


O BALÉ DAS JOANINHAS (poesia infantil)

 



  



Era dia de quarta-feira
De joaninhas uma fileira
Marchava de forma garbosa
Nas pétalas de branca rosa.

Fizeram da flor a sua praça,
Batiam as asinhas com graça
Como se quisessem ser admiradas.
As borboletas, nos galhos pousadas,

Comentavam sobre a beleza da rosa
E de como ela era generosa
Cedendo suas pétalas às joaninhas
Vermelhas com bolas pretinhas.

Mais pétalas na rosa se abriram,
E mais joaninhas rubras surgiram
Pousando na flor escolhida
Para o balé de beleza e de vida.

Outras rosas da mesma roseira
Sentindo inveja da companheira
Diziam: ela não é melhor do que nós
Por que estamos sempre sós?

Ouvindo tudo a roseira frondosa
Sacudiu-se muito raivosa
Fazendo voar sem destino,
Levadas pelo vento matutino,

Borboletas e todas as Joaninhas
Batendo rapidamente as asinhas
Deixando a rosa tão linda
Desolada por ver finda

A festa das alegres joaninhas
Por inveja das outras rosinhas.
Neste ponto o livro a menina fechou,
E uma lágrima pela sua face rolou.


Maria Hilda de J. Alão

JULIETE E SEU PATINETE (poesia infantil)

 


Com a mão, a menina Juliete
Levantou, do cabelo, o topete,
Vai andar de patinete
Com sua irmã Odete.

Corre maravilhosa
Com a saia cor-de-rosa
Perseguindo a amiga Lili,
Coisa mais linda eu não vi.

No mundo da fantasia
Juliete vive cada dia
Cantando uma canção de rei
Onde aprendeu não sei:

“O sapato do rei é de couro,
Tirado da pele do touro,
Pisa, pisa ó menina,
Nesta calçada de ouro.”

Para ela a vida é algodão doce,
Um caramelo, tal qual,
E se crescer não fosse
Não conheceria o mundo real.

Cansou das brincadeiras.
O sono veio buscar Juliete.
E lá ficou triste sobre cadeiras
O seu encantado patinete.

Papai e mamãe velam enternecidos
O sono tranquilo de Juliete,
Cercada pelos brinquedos queridos
Viaja no sonho com seu patinete.

(Maria Hilda de J. Alão)

sábado, 28 de outubro de 2023

A CIGARRA II (Cordelzinho)

 




A Formiga

Disse a formiga à cigarra:
Tanto canto, tanta farra
Sei que muito irás tiritar
Quando o inverno chegar.

A Cigarra

Não sei se entendi tua fala
Mas tenho aqui nesta mala
Instrumentos que alegria dão
Nestes dias quentes de verão.

A Formiga

É a mais pura verdade
No inverno sinto saudade
Do teu canto maravilhoso
E penso no tempo precioso
Perdido somente a cantar
E sem um minuto trabalhar

Para prover a tua casinha
De comida e uma roupinha
Que alimente e aqueça,
Teu o corpo frágil, não esqueça.
Cantar é muito bom, é lindo,
Com fome é a vida escapulindo.

A Cigarra

Será que perdestes o juízo?
Ou seria um enorme prejuízo
Se das tuas folhas um maço,
Tu jogasses em meu regaço?

A Formiga

Não me venhas com essa falação
Tens boa voz e um corpo são.
Podes cantar durante o dia
A noite terás trabalho de vigia
Da minha rica despensa de folhas,
Todas fruto de minha escolha.
Teu pagamento será um décimo
Com direito a um acréscimo
Se o trabalho for bem feito.

A Cigarra

A proposta é sem fundamento
Não dormir é um argumento
Para tal trabalho eu rejeitar
E de tal pessoa me afastar.
Como posso o mundo alegrar
Com minha voz, o meu cantar
Se preciso a noite trabalhar.

A Formiga

Então minha nobre e bela cigarra
Vá cantar e fazer sua algazarra
Bem longe, no fim do mundo
Pois eu considero um absurdo
Querer comer sem se esforçar.
Das minhas folhas nada terás
E quando o inverno chegar
E sentires a fome te apertar
Canta muito até ela passar.

27/10/2023

(Maria Hilda de J. Alão)

terça-feira, 17 de outubro de 2023

A CORUJA E A ÁGUIA (infantil)

 



No tempo antigo, quando os bichos falavam, existiu uma águia que passava o tempo todo brigando com uma coruja. A briga acontecia porque uma comia os filhotes da outra. E quando brigavam a floresta toda ficava sabendo. Só se ouvia o crocitar da águia e o pio da coruja desafiando uma a outra e, ao se enfrentarem, era só pena voando para todos os lados. E assim passaram boa parte de suas vidas. Um dia, já cansada, a águia foi até o ninho da coruja e fez a seguinte proposta:

- D. Coruja, eu estou cansada dessa vida de brigas entre nós. Que tal fazermos as pazes?

- Ora, acha que eu vou cair nessa? Eu digo sim e você comerá meus filhotes. – respondeu a coruja desconfiada.

Um corvo que estava pousado num galho ao lado do ninho da coruja, querendo dar uma de juiz de paz, disse para a coruja.

- Ora, vamos lá D. Coruja, tente ouvir mais atentamente a D. Águia. Talvez seja um acordo bom para as duas. Já pensou em acabar com essas brigas? Viver sossegada criando seus filhotes sem se preocupar com D. Águia, e D. Águia criando os filhotes dela sem se preocupar com a senhora?

As outras aves apoiaram o discurso do corvo e pediram que D. Coruja escutasse a proposta de D. Águia.

- Bem, D. Coruja, a minha proposta de paz é a seguinte: eu não como os seus filhotes e você não come os meus. E como prova da minha boa intenção, me diga como são seus filhos para que eu os possa identificar e assim evitar comê-los.

- Ah, D. Águia, meus filhotes são a coisa mais linda do mundo. Você os reconhecerá com certeza. – finalizou a coruja muito orgulhosa.

Depois dessa conversa a águia partiu para outras terras para caçar. Passou um bom tempo e ela voltou para aquele recanto da floresta que era seu verdadeiro lar para criar seus filhotes. Cansada de cuidar da prole, a águia resolveu descansar por algumas horas e, ao acordar o seu estômago e os dos seus filhos estavam roncando de fome. Saiu para caçar. Lembrou-se do acordo feito com a coruja.

- Preciso ficar muito atenta para não comer os filhotes de D. Coruja, caso contrário o acordo estará desfeito. Isso não será difícil porque sei que são os filhotes mais lindos do mundo.

E a águia continuou voando em busca de comida até que viu um ninho com meia dúzia de filhotes recém-nascidos horríveis.

- Esses aí não são filhos da coruja com certeza. São feios demais.

E num voo certeiro ela pegou os seis filhotes e os levou para o seu ninho oferecendo-os aos filhinhos famintos. Ela mesma comeu dois.

Antes do escurecer, chegou a coruja trazendo o esperado alimento. Ao ver o ninho vazio, piou de tristeza. Piou tão alto que atraiu a atenção do corvo, seu vizinho, que estava a quilômetros de distância:

- Meus filhos, meus filhos sumiram. – dizia pesarosa.

- Foi D. Águia... – disse o corvo reticente,

- A águia? – disse ela aos gritos, - Nós temos um acordo e ela foi capaz de quebrar. Como eu pude confiar numa águia? Ah, meu Deus!

E partiu decidida para o ninho da águia. Ao chegar foi logo gritando:

- Mentirosa, como pôde fingir que queria a paz e pelas minhas costas comeu os meus filhotes!

- Seus filhos, aquelas coisas horrorosas? Você disse que eram os mais lindos do mundo!

O corvo entendeu a história. Toda mãe vê seus filhos como os bebês mais lindos do mundo e dona coruja não é diferente. Certo, crianças?

MORAL: Quem ama o feio, bonito lhe parece.

(Histórias que contava para o meu neto)


 

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

EMPINANDO PAPAGAIO (poesia infantil)

 



Nicola tem sonhos, desejos
E não se importa com gracejos
Dos garotos do seu vilarejo
Dizendo: É o que almejo

Fazer e empinar um papagaio,
Para isso faço muito ensaio,
Que pelas nuvens penetre
Pois de empinar quero ser mestre.

Quero chegar perto do rei Sol
Da Terra o grande farol,
Quero ver o azul sem fim
E se possível a Lua de marfim.

E construiu o garoto Nicola
Com linha, papel e muita cola
O imaginário papagaio
E depois de muito ensaio

Estava ele no alto de um muro
Sonhando que no futuro
A cadeira de rodas deixaria
E que, lépido, o muro escalaria

De onde seu papagaio empinaria
E que para ele o rei Sol sorriria
Depois de guardar na sacola
O papel, a linha e o pote de cola.
Sonha Nicola!

07/09/23

(Maria Hilda de J. Alão)

 

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

O CÃO, O LOBO E O MESTRE MACACO (história infantil)

 


Um dia um cão saiu para caçar porque tinha quatro filhotinhos para alimentar. Depois de muito tempo procurando pegou um gordo coelho. Vinha todo feliz com o bichinho na boca quando saiu do mato um enorme lobo. O lobo rosnou, pôs os dentes de fora e disse com sua voz cavernosa:

- Está muito apressado, primo?
- Bem – gaguejou o cão -, é que meus filhotes estão com fome e eu estou levando o almoço pra eles.
O lobo, rosnando, disse:

- Quem autorizou você a caçar no meu território? Como eu não autorizei esse coelho me pertence. Pode largar aí mesmo e sair correndo porque, do contrário, você vira comida agora mesmo. O cão ponderou, mas não teve acordo. O jeito foi deixar o coelho e sair com o rabo entre as pernas.
Enquanto tudo isso acontecia, um macaco esperto estava no alto da árvore, coçando a barriga e de olho no cão e no lobo. O pobre cão já estava se afastando, triste por ter perdido o almoço, quando o macaco, com uma voz estridente, disse:
- Se eu fosse você não iria embora de boca vazia. Esconda-se entre a folhagem e espere um pouco.
- Você não entende macaco, se eu ficar serei morto por esse lobo enorme e os meus filhotes ficarão sem pai.
- Você, cão, nem sabe onde está caçando, não é verdade?
- Bem, o lobo disse que é no território dele.
- E você acreditou. Ora! Você não conhece as histórias desse espertalhão? Veja que a alcateia não está com ele, ele está só, portanto é um lobo mentiroso e oportunista. Cá pra nós, amigo cão, esse seu primo quer mesmo é comer sem trabalhar.
Enquanto conversavam, macaco e cão, o lobo, que já havia pegado o coelho, foi se afastando com aquele ar de vencedor. Foi neste momento que saiu do mato um leão. O macaco disse ao cão:

- Agora você vai entender o que eu disse. Veja: aquele coelho foi morto no território do leão, e quem é que está com ele na boca? Quem? Quem? Você sabe que um animal não pode invadir o território do outro. O lobo será castigado por sua arrogância e covardia e você, embora culpado de invasão, irá recuperar a sua caça.

- Como, mestre macaco? Agora é que não tem jeito. Se eu não posso enfrentar o lobo que é meu primo, imagine um leão.

- Observe, observe...

Foi só o tempo de o cão virar a cabeça e ver o leão saltar sobre o lobo e o belo coelho voar pelos ares. Neste momento o cão aproveitou para pegar o coelho e partir para alimentar seus filhotes. Não sem antes agradecer ao macaco pelo conselho que lhe valeu a recuperação do almoço.

- Aprenda a esperar, meu amigo cão! A situação, às vezes, se reverte em favor do perdedor, principalmente se uma das partes é desonesta. Disse o macaco rindo.

01/09/23

(Maria Hilda de J. Alão)

 

A ESTRELA-DO-MAR (história infantil)

 


- Vovó, como nasceu a estrela-do-mar? – perguntou a menina Lúcia, uma garotinha de grandes olhos verdes e uma fantasia maior do que ela, apontando para uma estrela que jazia ressecada na areia da praia.

- Ah, filhinha! É uma história muito bonita.
- Conte para mim, vovó. – pediu a menina.
E a vovó Mariana começou:
- Num tempo muito antigo, quando ainda não existia gente no mundo, os astros do céu eram deuses. O deus Sol, a deusa Lua e tantos outros. Eles ficavam vagando pelo espaço sem ter muito que fazer. A deusa Lua, moça formosa, acompanhada pelo seu séquito de estrelas brilhantes, estava entediada. Nada de novo acontecia. Era sempre a mesma coisa. Uma das estrelas, a mais brilhante, vendo a tristeza da deusa disse:
“Por que não olha ao seu redor? Veja aquele planeta. Reparou que você gira em torno dele? Que o acompanha para um destino desconhecido? “Espere o despertar do deus Sol e verá como ele é majestoso, de um azul que não existe em nenhum lugar da galáxia.”

E o deus Sol acordou. Iluminou o espaço e a deusa Terra. Então a deusa Lua voltou seus olhos para admirar a beleza do planeta Terra. Que bola maravilhosa! Toda azul girando no espaço. Ela queria ver mais. Então foi se aproximando mais e mais até quase tocar o planeta. Viu o mar. O seu olhar de deusa ficou extasiado. Apaixonou-se pelo gigante azul com espuma branca que mais parecia renda de um véu de noiva. Como se unir a ele? Impossível, - disse a estrelinha brilhante -, o lugar dele é na Terra e o seu é aqui.
A tristeza tomou conta da deusa Lua. Começou a ficar minguante, outras vezes crescente como o sonho de se unir ao mar. Só a realização do seu sonho de amor a faria se renovar e se tornar cheia de vida e de felicidade. E lhe veio a ideia. Cresceu, cresceu tanto que tocou o corpo do seu querido Mar. Foi um momento de magia pura.

Toda a natureza se aquietou e ela sentiu o perfume do amado, recebeu a carícia das ondas e brilhou como nunca enquanto durou o longo beijo. Realizado o sonho, a deusa Lua foi se afastando do Mar e voltou ao seu lugar no espaço. Foi então que a estrelinha brilhante perguntou: “Por que não ficou com o seu amor?” “Minha missão é a de iluminar a escuridão. Eu sou a lanterna do céu. Mas deixei com meu amado a prova da minha paixão. Uma sementinha que logo eclodirá como uma belíssima estrela-do-mar, filha do nosso amor impossível.
- E foi assim, minha querida neta, que nasceu esta estrela, filha da Lua e do Mar.

(histórias que contava para o meu neto)

01/09/23
(Maria Hilda de J. Alão)

A RAINHA FORMIGA (poesia infantil)

 



Correndo no chão cálido,
A formiga rainha veloz
Passa, num talo verde pálido,
Levada por operárias que a sua voz

Obedecem sem pestanejar.
Atrás, dividido em batalhões,
Vem o formigueiro a marchar
Como milhões de soldados anões.

Mudam para outro lugar,
Ali já não dá para viver,
O bicho papão veio a mata devastar,
Secou tudo, não há o que comer.

Ela quer um lugar sem som
De machado e das vozes gritantes
Dos papões que têm um nefasto dom:
Transformam tudo em pastos gigantes.

Vai a rainha apressando as comandadas,
Aprofundando-se na mata densa.
Não serão mais importunadas,
Bicho papão aqui não vem: ela pensa.

01/09/23
(Maria Hilda de J. Alão)

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

O PAPAGAIO E A CACATUA (poesia infantil)

 


Havia uma grande disputa
Em uma floresta verdejante
Entre duas aves bem falantes:
O papagaio verde e a cacatua.

Com gritos e blá blá blá
Ouvia-se a cacatua a falar:
Sou melhor que o papagaio
Para palavras pronunciar,

Ao que o papagaio respondia:
Com esse nome que carregas
Nunca falarás melhor do que eu
Numa disputa o mérito será meu,

E se nesse espaço eu caca fizer
Essa caca será tua, pois assim diz
Teu nome minha bela ave aprendiz.
E a disputa, sem data para acabar,

Já perturbava a boa convivência
Naquela grande floresta verdejante
Até que uma branca calopsita
Gritou com um alto-falante:

Chega de gritaria e tanto falatório
A sagrada floresta não é auditório
Encontrei uma solução para disputa
E para vencer depende da conduta

Do papagaio verde e da cacatua
Que deverão pronunciar rápido
Cinco vezes e não pode errar:
“Troca troca trocadilho”

E ao final dessa grande disputa
Venceu o falante papagaio verde
Que gritava como narrador de futebol:
“Vai bela cacatua que a caca é tua”

03/08/23

(Maria Hilda de J. Alão)

sexta-feira, 21 de julho de 2023

CONCERTO NA LAGOA (poesia infantil)

 


Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si,
Solfeja o sapo na lagoa,
Corre, corre gente boa
Hoje tem concerto aqui.

Tem rã coaxando em fá bemol,
Crocodilo bramindo em ré, dó, mi,
Cobra sibilando em lá, mi, sol,
Gazeia a garça em fá, lá, si.

Vem que já começa o tié
A cantar num fôlego só
Canção de amor em dó, mi, ré,
Responde sua amada em mi, ré, dó.

Na lagoa deslizando
Grasna o pato em ré, mi, fá,
Embaixo d’água nadando
Ronca o peixe em sol, dó, lá.

Vem chegando o gafanhoto
A ziziar em ré, fá, mi,
Num balançado maroto
Desafia a cigarra em lá, sol, si.

Canta sabiá lá no seu canto
Uma canção em sol maior,
Enquanto uirapuru ensaia o canto
Na escala lá menor.

Canto vai, canto vem,
Passam as horas lentamente
E o concerto finalmente
Termina ao som dos grilos

Cantando uma canção de ninar
Para os que vivem na lagoa
É verdade, meninada boa,
Todos vão dormir e sonhar.


(Maria Hilda de J. Alão)

sexta-feira, 14 de julho de 2023

A FLOR E O VENTO (infantil)



A flor, nascida de um pequeno arbusto à beira do rio, caiu sobre a água transparente e tranquila. O vento, que soprava docemente, disse:

- Tu pareces uma linda bailarina vestida de branco pronta para dançar:
- Ah, meu querido vento, com quem eu dançaria?

- Se permites serei teu par. Aceitas?

A flor sorriu abrindo todas as pétalas e espargindo um doce perfume que o vento se encarregou de espalhar pela mata que cercava o rio. Gentil o suave vento conduziu a florzinha num bailado sobre as águas mansas do rio correndo para um encontro com o mar. Pelo caminho a flor convidava as outras flores:

- Amigas, venham, venham bailar ao sabor do vento.

As flores, das margens do rio, foram caindo uma a uma na água excitadas pelo convite da florzinha branca e, em pouco tempo, flores das mais variadas cores cobriam a água do rio bailando embaladas pela melodia do vento. A flor branca se destacava no meio das outras pela sua beleza e a graça de dançar. O vento só tinha olhos para ela; só cantava e soprava para a sua florzinha branca. E quando todos chegaram à curva do caudaloso rio ele percebeu que, de um momento para o outro, perderia a sua amada. 
A água do rio, agora apressada, não via a hora de chegar ao seu amado mar.

Enchendo-se de coragem o vento apaixonado soprou forte elevando a florzinha branca no ar. As outras flores deram adeus a amiga executando uma perfeita dança das flores sobre a água afoita. O vento foi levando a florzinha para o alto, mais alto, mais alto. Ela resplandecia, rodopiava no ar. Não tinha medo. Sabia que o amado não deixaria cair. O vento sorria para ela, mas um pensamento triste lhe passou pela cabeça: ele não poderia prendê-la no ar para sempre. Vendo a nuvem de tristeza no semblante do amado ela perguntou:
- Já não gostas mais de mim, querido vento? Não queres mais soprar para mim?
Ela não entendia. Ele não pertencia a um só lugar. Ele era de todos os lugares. Agora aqui, logo mais acolá. Não tinha morada fixa. Com o coração batendo forte ele respondeu:
- Tu serás a mais branca e brilhante estrela do firmamento e quando eu me sentir só olharei para o céu e estarás lá brilhando e dançando para mim. Farei de ti a estrela da alvorada.
Transformando-se em um violento furacão ele arremessou a florzinha branca para além da estratosfera onde moram as estrelas e os planetas.

Destacando-se das outras a florzinha branca, agora estrela, está lá no firmamento piscando e brilhando para o seu amado vento e para nós.

- Vovó, isso aconteceu de verdade? – perguntou o menino.

- Na nossa imaginação tudo acontece de verdade, menino! Tá vendo lá no céu a estrela Dalva? É a nossa florzinha branca.

(histórias que contava para o meu neto)

(Maria Hilda de J. Alão)

segunda-feira, 3 de julho de 2023

A RAPOSA VIDENTE (cordel infantil)

 




Boa tarde meninos e meninas,
Sejam bem-vindos a esta escola.
Sentem-se em ordem e silêncio,
Pois contarei em forma de verso
Uma história acontecida
Com uma raposa muito esperta.

Cansada de só caçar coelhos
Dona Raposina vivia vigiando
Um galinheiro de um fazendeiro
Zeloso de sua propriedade.
Raposina arquitetava planos
Mas das galinhas, só o cheiro.

Um dia a natureza resolveu
Colaborar com dona Raposina
E fez desabar um forte temporal
Que arruinou o sólido galinheiro
Da fazenda do senhor Agostinho.
Derrubada a casa, as galinhas

Espalharam-se pelo denso matagal.
Sabedora do fato, Raposina resolveu
Que era hora de tirar de sua boca
Aquele gosto ruim de carne de coelho.
E foi para o mato em busca das galinhas
Já planejando o farto jantar que faria.

Caminhou, farejou e nada das penosas.
Cansada voltou para sua toca dizendo:
- Vamos aos coelhos porque ninguém
Neste mundo merece dormir com fome.
Amanheceu o dia e a procura continuou
A noite chegou e nada de galinhas.

Ouvindo a conversa dos outros animais
Raposina soube que as galinhas estavam
À procura do caminho para voltarem
À fazenda Três X de onde elas saíram
Na noite escura do grande temporal.
A raposa, agitada, bolava mais um plano.

Pensou muito e olhando em volta da toca
Viu uma tábua quadrada e teve a ideia:
- Já sei! Farei uma placa com os dizeres:
“Perdeu seu caminho? Raposina, a vidente
O encontra para você.  Consulta grátis.”
E colocou a enorme tábua ao lado da toca.

Cansadas de caminhar sem rumo, as aves
Resolveram consultar dona Raposina.
E fizeram uma fila. Na frente ia Teodoro
O galo chefe cantando um, dois, três, quatro
Motivando pintinhos e galinhas mais velhas
A caminharem rápido. Era preciso chegar

Antes de a noite estender seu negro véu
E como sabem galinhas dormem cedo.
Enquanto isso na fazenda, Agostinho
Preparava seu mais forte e esperto cão
Para sair em busca de suas belas galinhas.
Subiram e desceram morros e nada viram

Até que o cão começou a farejar inquieto.
O fazendeiro soltou o animal com a ordem:
- Não me volte sem as minhas galinhas.
O cão Spartacus, em desabalada carreira,
Foi cumprir a ordem dada pelo patrão,
Mas no caminho encontrou a dona Paca:

- O amigo canino está neste mato perdido?
Não se preocupe Raposina, a vidente,
Achará seu caminho de volta. É só consultá-la.
Spartacus ficou intrigado com aquela história
E foi até a toca da raposa para averiguar.
- Ah, malandra! Então é assim que quer pegar

As galinhas do meu patrão, pois receberás
Tudo que mereces pelo engodo bolado.
Encontrando-se com as galinhas bem perto
Do consultório da raposa vidente
O cão expôs ao galo o seu plano.
E chegaram finalmente à toca de Raposina.

De lá de dentro vinha a voz fina e rouquenha:
- Entrem minhas belezas, minhas lindinhas.
Raposina, a vidente, sentada em uma pedra,
Tendo na cabeça um véu azul com estrelas,
Só via diante de seus olhos frangos e galinhas
Todos assados sobre a pedra em que sentava.

A saliva escorria pelo canto de sua bocarra
Quando o primeiro cliente entrou dizendo:
- Quero achar o caminho da fazenda.
Acordada do seu sonho de comer galinha
Ela deu de cara com o cão Spartacus.
Sabendo que na luta ela levaria a pior,

Raposina saiu em desabalada carreira
Deixando o véu e a placa de vidente.
Dizem os bichos que quando perguntam
Se ela ainda gosta de galinha assada
A resposta é que galinha não tem carne nobre
Como a dos coelhos que ela come todo dia.

(Maria Hilda de J. Alão)

 

A Caixa Mágica (cordel)

AS DUAS CARTAS

  Faltavam duas semanas para o encerramento das aulas e as crianças do Grupo Escolar Cristo Rei tinham aulas de recreação. Todos estava...

Sorvete, Sorvetão (parlendas)