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sábado, 7 de maio de 2022

O BONECO DO NARIZ DE PRATA (cordel infantil)




No pequeno recanto dos brinquedos
Onde não se podia guardar segredos,
Dormia placidamente em uma caixa
Tendo oculto o rosto por uma faixa,

Um boneco todo vestido de amarelo.
Seria um príncipe de algum castelo?
Falava bem alto uma boneca de louça
Que para acordar o boneco fazia força.

Um boneco palhaço muito respeitado
Disse: ele pode ser um nobre enjeitado
Por isso daquela caixa não queria sair
Para não se revelar se a faixa cair.

Programada estava naquele recanto
A festa de natal com dança e canto.
Era o adeus dos brinquedos vendidos
Para os que no recanto ficam retidos.

E no pequeno recanto dos brinquedos
Onde ninguém pode guardar segredos
Começaram todos os preparativos
Para a festa com muitos atrativos.

Lili, a boneca de louça queria saber
A quem missão delicada poderia caber:
Despertar o boneco vestido de amarelo
Tirar-lhe a faixa e dizer: como é belo!

Foi a Tino, o boneco vestido de palhaço,
Que coube a missão de pegar pelo braço
O boneco, acordá-lo e sentá-lo na caixa,
Convencê-lo a tirar do rosto a feia faixa.

E no pequeno recanto dos brinquedos,
Onde ninguém jamais guardou segredos,
Despertou o boneco vestido de amarelo:
Onde estou? Pergunta surpreso Marcelo,

Jovem príncipe do reino dos brinquedos,
Levado por Violante durante os folguedos
A bruxa que detestava o riso das crianças,
Raptando-as durante suas longas andanças.

Foi assim que Marcelo, vestido de amarelo,
Depois da queda viu seu nariz virar farelo
Fugindo de Violante horripilante, a bruxa má.
E chegou a uma casa que tinha picareta e pá

Encostadas na parede de pedra. De quem seria
Aquela casinha? Logo soube e sem grosseria
Bateu à porta pedindo ajuda a quem atendeu
Com habilidade e presteza ao boneco socorreu.

Era o gnomo que trabalhava nas minas de prata
Reconhecendo Marcelo com deferência o trata:
Para consertar seu belo nariz todo esfacelado
Só há uma solução: não sei se será do seu agrado.

Disse o gnomo: farei de prata um belíssimo nariz
Será minha obra de arte para fazê-lo muito feliz.
Assim foi feito. E depois de no espelho se olhar
Marcelo chorou. Não era obra para se admirar:

Pensou Marcelo o boneco que dormia na caixa.
E ele saiu da casa decidido a encontrar uma faixa
Para esconder aquele nariz prateado disforme
Pois não há quem nessa situação se conforme

Com risinhos, piadinhas e muito deboche.
Aqui não existe isso: disse Gil o fantoche:
Saiba que no nosso recanto dos brinquedos
Onde ninguém jamais guardou segredos

Somos todos iguais, pode ser sem pernas,
Sem braços, só dizemos palavras ternas
Não importa se perfeitos ou imperfeitos
Ignoramos os físicos defeitos

Fixando-nos no conteúdo, a inteligência,
A honestidade, a prudência e a inocência.
E o recanto dos brinquedos foi sacudido
Com palmas, gritos num tremendo alarido

De todos os brinquedos pedindo insistentes:
Sai dessa caixa que te deixa tão impotente
Boneco Marcelo todo vestido de amarelo.
Para nós teu prateado nariz é perfeito e belo

Igualzinho ao teu coração de príncipe boneco
Disse a boneca que vestia um branco jaleco.
E foi nessa bela festa no recanto dos brinquedos
O lugar onde não se esconde segredos

Que os brinquedos tiraram o boneco Marcelo
Da triste solidão fazendo da caixa um castelo
Onde ele está à espera do próximo natal
E se uma menina o levasse seria o ideal.

07/05/22.

(Maria Hilda de J. Alão)
(Histórias que contava para o meu n
eto)

domingo, 1 de maio de 2022

A CASA SOLITÁRIA (poesia)

 



Numa rua bem arborizada,
Com construção autorizada,
O homem uma casa ergueu.
Tão feliz o homem prometeu:

Nesta casa tristeza não morará
Aqui só imensa alegria residirá.
Mas o tempo acelerado passou
E o sonho do homem fracassou

Na bela casa ninguém quis morar
E ela parecia querer desmoronar.
Crianças em bando à rua chegaram
Olharam e com o dedo apontaram

A bela casa solitária, triste e torta.
Procuraram uma entrada, uma porta
Para olhar seu interior desconhecido
Assunto para os vizinhos proibido.

Mas a casa se fechava mais e mais:
Deixe-nos entrar, somos legais.
Disseram em um só tom as crianças
Poderemos restaurar a esperança.

Teimosa a casa triste, torta e solitária
Vivendo uma situação tão precária
Desabou indo tudo parar no chão
Prova de que não existe construção

Que sobreviva à solidão e a tristeza.
Por isso o homem tem toda certeza
Se guarda-las por muito no coração
Verá sua casa solitária caída no chão.

01/05/22
(Maria Hilda de J. Alão)

sábado, 30 de abril de 2022

MEU TRENZINHO DE FERRO (poesia infantil)

 


Ah! Esse meu trenzinho de ferro
Correndo tão velozmente
No mundo da minha infância
Nos trilhos da minha imaginação.

Leva-me por várzeas e florestas,
Sobe e desce os morros do coração,
Invade vilas e cidades populosas,
Contando histórias glamorosas

De cavaleiros e grandes vilões,
De princesas lindas e bruxas malvadas,
Sobre faiscantes trilhos cantantes,
Ensinando sempre uma lição.

Corre meu imaginário trenzinho,
Corre porque tenho muita pressa
Vejo da janela o fim da infância,
E dessa fase nada quero perder.

Corre, corre meu trenzinho de ferro,
Corre que o implacável tempo urge,
Já vislumbro a Adolescência,
Nova estação desconhecida.

13/08/12
(Maria Hilda de J. Alão)

quinta-feira, 28 de abril de 2022

O CASAMENTO DO PÃO QUENTINHO (infantil)



O senhor Pão Quentinho
Vivia tão sozinho
Ao sair do forninho.
Até que um dia

A senhora Sofia
Sentindo dó do Pão Quentinho,
Resolveu arranjar pra ele
Uma gostosa companhia.

E foi na cozinha,
Batendo a nata branquinha
Do leite da vaquinha,
Que ela criou uma mocinha
Pra namorar o Pão Quentinho.

E lhe apresentou numa manhã,
Ao lado da xícara de café,
A mocinha fresquinha e amarela
Chamada dona Manteiga.

O Pão Quentinho, apaixonado,
Pediu a dama em casamento,
E ela, toda derretida, aceitou logo o pedido
Formando o mais gostoso casal:
Pão Quentinho e dona Manteiga fresquinha.

22/07/08
(Maria Hilda de Jesus Alão) 
(Histórias que contava para o meu neto)

NO REINO DOS BRINQUEDOS (cordel infantil)

 



No imaginário reino dos brinquedos
Onde não se pode guardar segredos
Nasceu em uma manhã belíssima
Um boneco que deixou ocupadíssima

A equipe de bonecas enfermeiras.
Histórias que diziam ser verdadeiras
Afirmavam que era sem par a beleza
Ao boneco dada pela mãe natureza.

De perfeição física e magnifica beleza
Conquistava a todos com sua pureza.
Podendo ser encarada como uma ofensa,
Preocupada a mãe do lindo boneco pensa,

Ao deus maior do reino dos brinquedos.
Consultando o mágico ela expõe seus medos
Perguntou se seria longa a vida do belo filho
Sim. Será longa e com extraordinário brilho

Desde que sua imagem jamais visse refletida
Ou teria a sanidade comprometida.
O tempo passou. Narciso, esse era o nome dele,
Era desejado por todos do reino, mas ele

Frio e soberbo a todos com desdém ignorava.
Desprezando uma boneca que muito o amava
Narciso despertou a raiva de todos os brinquedos
Que reunidos no lago à sombra dos arvoredos

Decidiram o que o boneco viveria grandes dores
E de um amor impossível sentiria os horrores.
Levado a beber no lago de água claríssima
Ao se debruçar viu o rosto de beleza raríssima.

Apaixonando-se imediatamente e perdidamente
Sentiu que aquela imagem amaria eternamente.
Passou dias e noites admirando a rara beleza
Até que veio a morrer de amor e muita tristeza.

Uma das deusas do reino penalizada transformou
Em flor amarela o boneco que muito amou
Seu reflexo nas águas de um lago limpíssimo
E por esse amor viveu um tempo curtíssimo.

28/04/2022
(Maria Hilda de J. Alão)
(Falando de mitologia grega com o meu neto)

 

terça-feira, 26 de abril de 2022

A CAIXA MÁGICA (cordel infantil)



Depois de muita patifaria
E de truques que fazia
Para pegar o rato Edvar
Pensou o gato Beraldo,
De porte avantajado,

Que só por meio de magia
De fato conseguiria
Abocanhar o pobre Edvar,
Que também vivia cansado
De fugir do terrível Beraldo.

Em busca de solução
Para resolver a situação,
Lá se foi o gato Beraldo,
Levando um pequeno fardo,
A procura de um mágico.

Depois de longa caminhada
Chegou Beraldo em Miau City,
Cansado e empoeirado,
E foi logo perguntando:
- Por acaso aqui existe

Um mágico sério e honesto
Que possa me ajudar
A dar um bom corretivo
Num rato sujo e funesto
De nome Edvar?

Então lhe foi indicado
Um mágico muito afamado,
O senhor gato Bertoldo
Que fazia qualquer acordo
Desde que lhe pagassem bem.

Chegando a casa do gato mágico
Beraldo contou o caso trágico
De como por várias vezes
Foi por Edvar humilhado.
- Só com a caixa mágica

Seu problema será resolvido.
Foi o que disse Bertoldo
Depois de receber o soldo.
Beraldo então recebeu
A tal caixa que lhe valeu

Trinta moedas de ouro.
Enquanto isso entre os ratos
Corria o que seria boato
Da tal de caixa mágica
Que traçaria a sorte trágica

Do pobre ratinho Edvar.
Dos ratos de Miau City
Ele recebeu mensagem secreta:
- Edvar fique alerta:
Segue o segredo da caixa do pateta.

E chegou Beraldo com sua caixa
Silenciosamente, na parte baixa
Do lugar onde vivia Edvar.
Ajudado pelo gato Elival
Pôs a caixa e retirou o manual

Que ensinava como fazer
A engenhoca funcionar
E dentro dela prender
Aquele que era sua dor de cabeça:
O rato Edvar.

Lendo o esquisito manual
Dizia em forma de ritual:
- Cheiro de queijo parmesão,
Traga para dentro da caixa
Edvar, o rato bobão.

O rato, fazendo teatro,
Andando em câmera lenta
Entrou na caixa mágica
Fechando a abertura da frente.
Pronto. Estava feito.

Beraldo miou de felicidade.
Era só abrir e tirar de dentro
Aquele que era o centro
Do desgosto de um gato:
O ratinho que vivia no mato.

E lá foi bem de mansinho
O gato para tirar o rato
Da caixa que lhe custara
A poupança que acumulara
Para a sua aposentadoria.

Ao abrir a caixa com afoiteza
E para sua grande surpresa
Dentro estava a Marquesa
Uma linda gambazinha
Que presenteou o gato Beraldo

Com seu asqueroso perfume.
Onde estava o rato Edvar?
Ele saiu pela abertura dos fundos
E ligeiro ganhou o mundo
Rindo do gato que além de tudo

Foi enganado por Bertoldo,
O mágico de meia tigela,
Que usava bota com fivela,
Casaco e chapéu de feltro
E de magia nada entendia.

Fazia tipo só para surrupiar
De tipos como Beraldo
Tudo que tinham economizado
E aumentar seu patrimônio
Sem precisar trabalhar.

10/10/11
(histórias que contava para o meu neto
(Maria Hilda de J. Alão)

sexta-feira, 22 de abril de 2022

O SONHO DO BONECO (poesia)

 



Na estante de muitas bonecas
Entre raquetes, bolas e petecas
Estava num cantinho apertadinho
Um boneco com sardas no rostinho.

Era rosado e se parecia com bebê
Desses que encantam quando se vê
O corpo macio como seda chinesa
Olhos redondos de azul turquesa.

Pensando ele vivia ali tão tristonho,
Pois desejava realizar o seu sonho
De escapar de tão horrorosa prisão
Jogando-se no ar e caindo ao chão.

Lendo os pensamentos do boneco
O gênio dos brinquedos Maneco
Apareceu em uma nuvem rosada
E com espalhafatosa gargalhada

Disse: desejos podem se realizar
Basta com fé pedir e em mim confiar.
O boneco muitíssimo emocionado
Questionou: tem preço condicionado?

Para a liberdade não há preço a pagar
Ela é o tesouro que todos devem herdar
Seja um humano, um animal ou um boneco.
Explicou o gênio dos brinquedos Maneco.

Liberte-me, quero ser de uma criancinha
Quero ouvi-la dizer que sou uma gracinha
Cansei de viver nesta estante e neste aperto
É como se no meu peito houvesse um espeto.

Nesse exato momento entrou uma menina
Que olhando a estante de baixo para cima
Disse: moço, eu quero aquele lindo boneco
Pediu ela ao gênio dos brinquedos Maneco.

Foi assim que o boneco macio como seda
Conheceu da liberdade a longa alameda
Nos braços daquela bela criancinha
Que o embalava dizendo: é uma gracinha.

20/04/22
(histórias que contava para o meu neto)
(Maria Hilda de J. Alão)

A Caixa Mágica (cordel)

AS DUAS CARTAS

  Faltavam duas semanas para o encerramento das aulas e as crianças do Grupo Escolar Cristo Rei tinham aulas de recreação. Todos estava...

Sorvete, Sorvetão (parlendas)