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sábado, 7 de dezembro de 2024

AS DUAS CARTAS

 











Faltavam duas semanas para o encerramento das aulas e as crianças do Grupo Escolar Cristo Rei tinham aulas de recreação. Todos estavam aprovados para o ano seguinte e, como disse a professora, agora era só brincadeira. Num desses dias, a professora começou a falar sobre a festa de Natal, presentes, igrejas e tudo mais que envolve esta bela data. Séria, ela perguntou aos alunos se eles já haviam escolhido seus presentes. Foi uma agitação total. Todos falavam ao mesmo tempo e ninguém entendia nada. A professora então disse:

- Calma, crianças! Falem um de cada vez para que todos possam ouvir e entender.

A ordem foi estabelecida. A primeira a falar foi a Aninha. Ela pediu uma boneca e uma bicicleta, o Arnaldo, uma bola oficial de futebol, o Marcelo queria jogos de armar, o Carlinhos, o menino com cara de intelectual, queria livros porque ler era o seu passatempo predileto. Todos estes pedidos foram enviados, através de carta, ao Papai Noel. A professora percebeu que o Pedrinho não dissera uma palavra.

- Então Pedrinho, você não pediu nada? – perguntou ela.

- Não. Este ano eu é que vou dar presente. – respondeu a criança.

- Para quem?

- Para o aniversariante!

- Pedrinho, o aniversariante é Jesus de Nazaré. Como você entregará o presente para ele.

- Ora, professora, isso é comigo e o Papai Noel. Eu escrevi pra ele e pedi pra ele entregar.
A professora ficou pensativa. Claro que a criança tinha razão, no Natal são poucas as pessoas que se lembram do aniversariante.

Enquanto isso, lá no Pólo Norte, o correio chegava com milhões e milhões de cartas de crianças pedindo de tudo. Os ajudantes do Papai Noel estavam deveras atarefados, sem tempo nem para comer. Eles precisavam abrir aquela correspondência toda antes do dia vinte e cinco de dezembro para não atrasar a entrega dos presentes. Já estavam quase no fim quando um dos ajudantes disse:

- Engraçado, aqui tem duas cartas da mesma pessoa; uma é para o Papai Noel e a outra é para... Jesus de Nazaré... e tem um pacote também endereçado a ele. – disse o ajudante de olhos arregalados porque nunca havia acontecido um fato deste.

O Papai Noel ouvindo aquilo deu a ordem:
- Abra a carta endereçada a mim.
O ajudante abriu e leu:

“Querido Papai Noel. Este ano eu não quero presentes. Tenho todos e tudo que pedi. Por isso eu só peço uma coisa: dá pro senhor entregar a outra carta e o pacotinho para o filho de Deus? Eu sei que o senhor está mais perto dele, portanto fica mais fácil. Obrigado. Feliz Natal e um beijo do Pedrinho.”

O Papai Noel ficou comovido e se apressou em atender a solicitação da criança. Entregou tudo nas mãos de Jesus Cristo. Jesus abriu a missiva e começou a ler em voz alta.

“ Senhor Jesus.
Dia vinte e cinco de dezembro é o dia do seu aniversário. Aqui na Terra todos comemoram com festas e presentes, só que eu nunca vi ninguém dar um presente pro senhor. Então eu resolvi que este ano eu vou lhe dar um. Não é uma bicicleta porque o senhor não saberia andar nas nuvens com ela, nem bola, acho que não saberia jogar, nem carrinho, nem pipa ou pião, nada dessas coisas. São as minhas ações praticadas. A obediência e o respeito, a solidariedade, o amor aos semelhantes e a fé em Deus e no senhor. Sei que não é muito porque ainda sou pequeno, mas saiba que tudo é de coração. Eu embrulhei o presente com papel de oração para que não se perca pelo caminho.

Desejo-lhe um feliz aniversário, ao lado dos seus pais e dos zilhões de amigos que o senhor tem. Ah! Não se esqueça de, quando apagar a velinha, fazer um pedido.

Um beijo do seu amigo.
Pedrinho.”

Jesus terminou a leitura. Abriu o pacotinho e lá estavam as boas ações do Pedrinho todas arrumadinhas com muito capricho. Levantou-se e foi até a janela da sua morada e olhando para baixo, deixou que as duas lágrimas que bailavam nos seus olhos caíssem sobre a Terra abençoando tudo e todos no dia do seu aniversário.

- Vovó, eu também posso mandar um presente pra Jesus?

- Pode sim. Todo o bem que você fizer, faça em nome Dele que ele irá juntando tudo e guardando no armário que cada um de nós tem no céu. Este é o melhor presente que podemos ofertar a Jesus em todos os dias da nossa existência.

(histórias que contava para o meu neto)

(Maria Hilda de J. Alão)

sábado, 27 de janeiro de 2024

CONTANDO CARNEIRINHOS (infantil)

 


Eu acho tão engraçado

A vovó contar carneirinhos

Na hora de dormir.

Na minha cabeça de criança

Brotou a grande pergunta:

E os carneirinhos? Na hora

De dormir eles contam gente?

 

 

27/01/24

(Maria Hilda de J. Alão)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

MOLEKÃO E O SUMIÇO DA BONECA (história infantil)

 


- Vovó, que bolo você vai fazer? – perguntou Zequinha para dona Mariinha, sua avó por parte de mãe.

- Ah, hoje será um bolo de laranja, o meu preferido! – respondeu ela.

- Então você não gosta de bolo de chocolate, vovó? – insistiu o menino.

- Gosto sim, meu amor. Só que hoje eu me lembrei do bolo de laranja que minha mãe fazia e me deu uma saudade...

- A minha bisa era assim como você, vovó?

- Era bem melhor! – exclamou dona Mariinha segurando a lágrima que queria sair do seu olho.

- Eu vou te contar como era na minha infância, quando eu tinha a sua idade. Na minha casa éramos quatro filhos, três meninos e eu. Morávamos num sobrado grande. O que não faltava era terreno pra gente correr e brincar. Nossos amiguinhos sempre vinham brincar conosco. Minha mãe ficava mais sossegada. Ela olhava, sorria e dizia: - Daqui a pouco tem bolo de laranja. Quem vai querer? E todos, incluindo os amigos, respondiam: - Eu, Eu...

- Enquanto os meninos brincavam com bolinha de gude e jogavam futebol com bola de capão, eu e as outras meninas brincávamos com as bonecas e de fazer comidinha. Minha mãe separava um pouco do almoço numa vasilha para que nós aprontássemos a nossa comidinha. Eu juntava duas pedras, uma do lado da outra, e deixava um vão entre elas para colocar gravetos e acender um fogo imaginário, colocava a panelinha para fingir que cozinhava a comida já pronta. Depois era só chamar a molecada pra comer nos pratinhos de alumínio, com garfinhos do mesmo material, que eu ganhara de uma tia de Goiás.

- Enquanto tudo isso acontecia, ele estava ali ao meu lado esperando o seu quinhão.

- Quem era ele, vovó? – perguntou Zequinha curioso.

- Era o meu cão Molekão! – respondeu dona Mariinha.

- Mas que nome engraçado. Por que Molekão? – insistiu o menino.

- Ele era um cão buldogue francês, sisudo, mas uma doçura de animal. Amigo das crianças, ele participava de todas as brincadeiras. Foi meu avô quem colocou o nome Molekão por causa da pele enrugada e mole do focinho. Se não déssemos a nossa comidinha pra ele, podia esperar a choradeira. Ele gania até ganhar o que queria. Bem. Um dia, durante as férias escolares, nós fomos brincar no parque onde ficava a lagoa com a recomendação de minha mãe: - Não fiquem à beira da lagoa e nem entrem na água, pelo amor de Deus. E nós obedecemos direitinho. Ficamos na parte mais alta do parque onde havia muitas árvores.

Os meninos com seus brinquedos: pião, bola e pipa. Nós, as meninas, com bonecas, corda, os pratinhos e as panelinhas para fazer e servir comidinha. Comigo estavam o Molekão e a minha boneca de louça que eu ganhei da minha madrinha. Eu adorava aquela boneca. Depois de umas horas de brincadeiras o céu, que estava azul e fazendo muito calor, ficou cinza ameaçando desabar uma tempestade. Começamos a recolher nossas coisas para voltarmos quando veio a ventania com relâmpagos e trovões. A chuva caiu logo a seguir, fazendo-nos correr para casa. Foi muita água que caiu do céu. Tudo ficou inundado. Depois de passado o temporal e de os amigos terem ido embora, eu me dei conta que a minha boneca tinha ficado lá no parque da lagoa.

Meu pai foi buscá-la, mas voltou de mãos vazias. A boneca havia desaparecido. Que tristeza! Meu coração batia descompassado e as lágrimas rolaram dos meus olhos. Será que a chuva a levou para dentro da lagoa? Molekão ficava ali me rodeando como se entendesse a situação. Lambia as lágrimas que caiam em minhas mãos e eu lhe dizia:

- Eu quero a minha boneca. Você sabe onde ela está?

No dia seguinte Molekão, contrariando os seus costumes, sumiu. Ele nunca havia feito tal coisa. Chegou a hora do almoço e nada, logo ele que não dispensava comida. Minha mãe, preocupada, perguntava aos vizinhos se haviam visto o cão. A reposta era a mesma: - Não, senhora. Mas à tardinha, já com o sol se escondendo, chegou Molekão com a boneca na boca. Parecia que ele mergulhara num mar de lama para resgatá-la. Largou a boneca aos meus pés e se pôs a latir. E meu coração disparou de emoção. Mesmo coberto de lama, eu abracei Molekão em sinal de agradecimento. Depois de tudo limpo, eu, o cão e boneca, perguntei a minha mãe:

- Mamãe! Quem disse que os cães não entendem a língua da gente?

- Provavelmente, alguém que nunca teve um. – respondeu minha mãe sorrindo.

Depois daquele dia, eu que já amava, passei a amar e a respeitar, mais e mais, o nosso cachorro Molekão. Ele sabia, porque sempre que eu deixava no quintal algum dos meus brinquedos, ele vinha e o depositava aos meus pés como a dizer:

- Você esqueceu, não vá perdê-lo como fez com a boneca!

Como você pode ver, meu netinho querido, na vida de toda a criança existe sempre um cão, uma avó e um bolo que pode ser de laranja ou de chocolate.

- Vamos ver como está o bolo? – Perguntou d. Mariinha abrindo o forno e puxando a forma. O perfume invadia cada canto da casa e escapava por janelas e portas para desafiar o paladar da vizinhança.

- Está belíssimo, meu querido! Vamos aguardar que esfrie para colocar a cobertura.

- Vai demorar muito, vovó?

- Ah! Seu guloso. Demora o tempo que a andorinha sinhá Mariquinha leva para botar seu ovo.

- Que história é esta, vovó?

- Esta eu contarei em outra oportunidade.


(Maria Hilda de Jesus Alão)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023




  O GATO QUE QUERIA SER TIGRE






Esta história está no livro escrito por Maria Hilda de J. Alão OS BICHOS CONTANDO SUAS HISTÓRIAS à pagina 76.

publicado em 2018 pela Editora Clube de Autores.






domingo, 3 de dezembro de 2023

CAIPIRESCA (brincadeira infantil)

 



Bifi di boi é tão bão
Principarmenti si for nu pão.
Diga lá cumpadi João:
Tem coisa mió de bão?

Tem não cumpadi Zé,
I si ocê cumê cum café
Passadu na meia du pé,
Nem vai sinti u chulé

Di tão bão qui é cumê,
Um pedaçu di bifi rolê,
Cum tar di môio rosê,
Qui faiz a dona Vevê.


(Maria Hilda de J. Alão)

 

BRINCANDO COM VERBOS (brincadeiras)

 



A borboleta borboletearia
Um cavalo trotaria
Uma vaca ruminaria
Um grilo cricrilaria
Um pintinho piaria
A menina cantarolaria
E um burro zurraria
No futuro do pretérito.

31/03/23

(Maria Hilda de J. Alão)


segunda-feira, 6 de novembro de 2023

O FANTOCHE BINOCHE (historinha)

 




















O fantoche Binoche é do dedo polegar da mão do palhaço Ademar. Também é vizinho da linda Bibi, fantochinha que passa a vida a sorrir, espetada no dedo indicador do palhaço falador.

Binoche tem um grande desejo: conhecer, nos outros dedos, seus companheiros de fazer graça. Quer saltar acima do dedo indicador, dizer “olá” ao Claudionor, o fantoche verde com voz de papagaio, bem amarradinho no dedo médio da mão direita do Ademar. Quer parar no dedo anelar e conversar com Papi, o fantochinho criança, que imita o piar de passarinho no ninho.

Mas o sonho de Binoche ninguém sabe. Só ele. Quer chegar ao dedo mindinho pra fazer parte do mundinho de Zuzu, a fantochinha com saia de tule. Calcule só a alegria, a festa de todos os dedos. Depois é só cantar, contar histórias e pedir ao palhaço que junte os dedos para unir os cinco amigos num abraço fraternal.

(Maria Hilda de J. Alão)


A Caixa Mágica (cordel)

AS DUAS CARTAS

  Faltavam duas semanas para o encerramento das aulas e as crianças do Grupo Escolar Cristo Rei tinham aulas de recreação. Todos estava...

Sorvete, Sorvetão (parlendas)